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Marmitas ganham espaço no cotidiano brasileiro


Economia e saúde são bons motivos para apostar na comida caseira.

Popularizada no Brasil pelos boias-frias, as marmitas deixaram de ser motivo de constrangimento e passaram a fazer parte da rotina do brasileiro, principalmente entre os moradores das grandes cidades que, no trabalho, não têm condições de almoçar em casa. Economia, saúde e segurança costumam ser as principais razões para usar o utensílio.

O assistente de informática Anderson Souza, 20, é um dos adeptos da marmita. Ele mora no Jardim Silvina. Não recebe vale-refeição. Por isso, para gastar menos, leva comida de casa, preparada por sua madrinha. O cardápio, segundo ele, não é muito variado. Na maioria dos dias, é composto de arroz, feijão e frango. “O lado ruim é ter que ficar levando a marmita de um lado para o outro.”

Além da economia, muitas pessoas aderem à marmita por ser uma forma fácil de controlar a alimentação e garantir uma refeição saudável. É o caso da técnica de enfermagem Sandra Cirila Flores, 34, moradora de Diadema. “Como a cada 4 horas. E a marmita acaba ajudando na dieta.” A principal vantagem, no caso de Sandra, é saber o que está comendo. “Costumo levar verduras e legumes. Além de fazer economia, sei o que estou comendo, o que não acontece quando como fora de casa.”

Marmita perfeita
Para a nutricionista Thais Penteado Salomão, da clínica ABC Nutri, de Santo André, a marmita não era bem vista antigamente por acondicionar todos os alimentos em um só recipiente. “Mas hoje em dia já existem as com divisórias, o que possibilita uma melhor disposição dos alimentos. Afinal, nós começamos a comer com os olhos”, declarou.

Além da disposição dos alimentos, é importante que eles sejam de alto valor nutricional. Segundo Salomão, é essencial que a quentinha contenha verduras e legumes crus e cozidos, além de uma porção de proteína, que pode ser encontrada em um filé de frango ou bife grelhado. Para os que não comem carne, a opção pode ser encontrada em uma omelete de dois ovos. 

O básico da marmita, de acordo com a nutricionista, fica por conta do tradicional arroz e feijão. “A combinação de um carboidrato e uma leguminosa é perfeita”, afirmou. Para quem enjoa facilmente desses alimentos, o segredo é substituí-los por equivalentes. “O arroz integral é a melhor opção por conter fibras, vitaminas e minerais, mas pode ser substituído por macarrão integral ou batata, por exemplo. Já o tradicional feijão carioca pode ser substituído por outros tipos de feijão como o branco e o azuki ou também pelo grão-de-bico ou ervilhas.”

Cuidados
O uso da marmita envolve não só a preparação e o cuidado ao escolher os alimentos, mas também preocupações com o transporte e o armazenamento. Na opinião de Salomão, o ideal é utilizar recipientes de vidro ou inox, já que o plástico é poroso e libera em altas temperaturas um composto químico chamado bisfenol A, que é uma substância cancerígena.

Até o esperado momento de seu consumo, “a marmita deve ficar acondicionada na geladeira na prateleira superior, que é a mais resfriada”, alerta a nutricionista. Quando levada de um lugar para o outro, o ideal é que o recipiente seja transportado em sacola térmica para que sua temperatura seja conservada.

Depois de tantas mudanças climáticas enfrentadas pela marmita, chega o momento em que ela finalmente se transforma em “quentinha”. Segundo Salomão, há uma pequena perda de vitaminas no processo de aquecimento em microondas, mas elas não são significativas. “Não podemos deixar de utilizar esse tipo de facilidade da vida moderna por essa perda. Cada vez mais a comida caseira está na moda, vale a pena investir.”

História
Apesar de ser um simples recipiente para acondicionar e transportar alimentos, as marmitas entraram para a história. No livro “O Imaginário Trabalhista”, ao falar do ano de 1945, após a deposição do presidente Getúlio Vargas, o autor Jorge Ferreira faz uma abordagem social e política da marmita, citando uma manchete do jornal “O Radical”, que diz: “entre a plebe e a elite, um divisor: o marmiteiro”.

Na ocasião, o queremista [grupo que apoiava a permanência de Vargas no poder] Hugo Borghi, em apoio à campanha do candidato Eduardo Gomes, definiu a classe operária como “marmiteira” e afirmou que o opositor Eurico Dutra, do partido UDN, desdenhava dos votos dessa classe social. Resultado: os marmiteiros votaram em massa em Eduardo Gomes, que foi eleito como 16º presidente brasileiro.

Em 1976, a pesquisadora Jane Souto de Oliveira analisou os hábitos e padrões alimentares de um grupo operário no Rio de Janeiro. Ao fim da pesquisa, ela percebeu que, por se tratar de uma refeição consumida de forma coletiva, era importante para os trabalhadores que a mistura da marmita fosse ostentada entre os demais na hora do almoço.

“Ainda que seu conteúdo seja basicamente o mesmo do jantar na família, reserva-se para a marmita o melhor pedaço de carne ou uma quantidade maior de verduras e legumes. São exatamente estes elementos que (...) colocados por cima na marmita, falam de sua qualidade e indicam se o operário passa bem ou mal”, relatou a pesquisadora em seu estudo.

2 comentários:

  1. Trago minha marmita para o trabalho, e acho a melhor opção para comer bem e barato. Tenho uma marmita onde vem os alimentos quentes, e outra para salada. Swem contar que, pela manhã, depois de tomar café e com a barriga cheia, fica fácil fazer um prato bem pensado, porque com fome em um restaurante, com certeza, a gente comeria muito mais!!!

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    1. Com certeza Patrícia, temos maior controle do que comemos e da preparação dos alimentos, como por exemplo, sem adicionar os famosos temperos prontos...verdade, com a barriga cheia pensamos melhor e não temos impulsos gulosos...

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